NA ESCRAVIDÃO DA DUALIDADE

 NA ESCRAVIDÃO DA DUALIDADE

A lógica do ou é dia ou é noite, governa milhões de mentes. Pessoas se movem, sem saber,  pela construção aristotélica e cartesiana  do chamado “terceiro excluído”! Ou a coisa é A, ou a coisa é B! Filosofias à parte, nossa conversa é para muito além disso. É sobre esse tipo de pensamento que assombra a civilização ociental a milênios. E move nossas relações pessoais, sociais, filosóficas, amorosas, econômicas, políticas…enfim, nossas vidas como um todo! Nosso cotidiano.


“Se não pensa igual a mim, então é diferente”!

Eis umas das máximas existenciais que movem as nossas relações contemporâneas. Principalmente políticas e religiosas! Uma lógica que, sim, na verdade esconde uma enormidade de coisas que poderíamos aqui discutir. Uma delas é o sentimento moderno de proteção à individualidade e ódio ao outro, ao diferente. Aquilo ou aquele que ameaça o meu espaço, precisa ser eliminado. Uma lógica que questiona a chamada racionalidade humana.

O mundo é por demais extenso! O Universo, então, nem se fala! No entanto, a maioria das pessoas se refugiam no seu “mundinho pessoal” e nas concepções morais que intronizaram desde que deram às caras ao mundo. Vivem como se fossem eternos em um espaço que pertence somente a si. Resumem a existência a si mesmos, a si mesmas! E, assim, perdem a grandiosidade disso tudo que nos rodeia.

Nessa lógica, ideologias políticas e religiosas nos limitam a apenas um lugar; eliminando uma infinidade de outras possibilidades. Uma das missões da vida é conhecermos e compreendermos coisas. O taoísmo, por exemplo! Você já leu sobre? Nada de dogmas ou líderes a serem cultuados. Não é uma religião, mas um princípio de vida: compreender a realidade como uma dinâmica de opostos complementares, expressa pelo conceito de Yin e Yang. Esses pólos não são forças em conflito, mas dimensões interdependentes que se transformam continuamente!

Então, aquele que me faz companhia no mundo está em continuidade comigo dentro de um sistema muito maior. Isso não nega o que eu sou; enriquece minha existência. O próprio mundo, posso estar em sintonia com ele. Posso estar em sintonia com o fluxo da vida. Com o fluxo do meu corpo. O outro? Estamos  no mesmo barco da existência.

O outro não é o meu inimigo; mas parceiro de viagem!

Isso não elimina a minha individualidade, a minha subjetividade. Conviver se torna uma oportunidade de aprender, de somar a si mesmo, a si mesma, novas vivências, novos olhares. Contrários que se complementam! Não contrários que se destroem!

“Eu sou assim, e penso assim, e pronto”! Uma frase que nos encarcera nas nossas próprias mediocridades e limitadas visões da vida e do mundo. Fechar-se em si mesmo, em si mesma é perder a cor , o sabor, o som e a textura de outros lugares e pessoas! 

A existência é um fluxo contínuo que, no tempo certo, nos deixará pelo caminho. Milhões já se foram! E enterrados nas suas certezas e posições pessoais acerca da vida. Resistiram a si mesmos, a si mesmas!

E então: vai aproveitar o dia ou prefere permanecer se intoxicando com o amargor das conclusões sobre as outras pessoas e o mundo?

Viver é ser submetido à escolhas dentro de um mundo que é impermanente, em constante mudança

    A EXISTÊNCIA NÃO É UM LUGAR, MAS UM CAMINHO!

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