A LUA PRIMAVERIL

 

Dedicado aos amores sonhados, aos amores não vividos. Aos amores sonhados que possuíram, como testemunha, o olhar ciumento da lua.

A lua primaveril observa

lábios em toque, grudados.

Dedos aflitos percorrem

um vestido branco rendado.


A lua, ao ver, envergonha-se;

esconde, nas nuvens, a face.

Enche-se de extremo pudor,

ao prever o desenlace.


A lua ameaça um brilho,

flagra um roçar constante;

Ofegante suspirar, gemidos.

É a erótica dança dos amantes.


Claridade, escuridão, silêncio.

Então, a lua,

vendo-se acobertada pela noite,

livra-se das nuvens e faz-se nua.


Corpos se fundem na horizontal,

sentimentos difusos, vertigem

A lua primaveril, ainda virgem,

vê pela primeira vez o amor.


O coito noturno termina;

o prazer na alma, bom açoite.

A lua, feliz e satisfeita,

sorri e descansa na noite.


AZARIAS, Sebastian. Psicanálise, Poesia e Filosofia: memórias poéticas de um menino preto. [S. l.]: IBRAPSI, 2024.

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