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Mostrando postagens de março, 2026

A PSICANÁLISE COMO ÉTICA DA LIBERDADE

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Freud é fruto do positivismo do século XIX. O lema “Ordem e Progresso” assumia o leme da sociedade da sua época. Freud irá navegar pelas fundamentações médicas do seu tempo, calcada no pressuposto cartesiano de que a razão daria conta de tudo. O positivismo irá atravessar todas as instâncias de saber e movimentos políticos e sociais da Europa, e balizará o olhar do Velho Mundo para o resto do planeta. Na área da Filosofia e Sociologia irá nascer o chamado Darwinismo Social, a ideia de que a Europa havia chegado ao ápice da civilização; o que não era europeu era primitivo, atrasado. Américas, Ásia e, principalmente África precisavam ser “civilizados”. A subjetividade desses povos, aos europeus, continuava contaminada com a superstição, atraso cultural e científico. Autores como Hegel,antes, já tinham teorizado o triunfo  do saber humano no seu texto “A Fenomenologia do Espírito" (1807). E havia deixado esses povos de fora. Freud surge como um médico-cientista, o que vem depoi...

NA ESCRAVIDÃO DA DUALIDADE

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  NA ESCRAVIDÃO DA DUALIDADE A lógica do ou é dia ou é noite , governa milhões de mentes. Pessoas se movem, sem saber,  pela construção aristotélica e cartesiana  do chamado “terceiro excluído”! Ou a coisa é A, ou a coisa é B! Filosofias à parte, nossa conversa é para muito além disso. É sobre esse tipo de pensamento que assombra a civilização ociental a milênios. E move nossas relações pessoais, sociais, filosóficas, amorosas, econômicas, políticas…enfim, nossas vidas como um todo! Nosso cotidiano. “Se não pensa igual a mim, então é diferente”! Eis umas das máximas existenciais que movem as nossas relações contemporâneas. Principalmente políticas e religiosas! Uma lógica que, sim, na verdade esconde uma enormidade de coisas que poderíamos aqui discutir. Uma delas é o sentimento moderno de proteção à individualidade e ódio ao outro, ao diferente. Aquilo ou aquele que ameaça o meu espaço, precisa ser eliminado. Uma lógica que questiona a chamada racionalidade humana....

INFÂNCIA

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  INFÂNCIA Nas minhas mais tenras lembranças, neblinas ofuscando algum acontecimento. O choro por uma chupeta perdida, o sorriso por um braço estendido! — Já não é hora de andar, menino! Andei, e mais que deveria! Caminhei no trem dos meus pensamentos, viajei Por belos vales, misteriosas cidades, escuras florestas... Em nossa imaginação não há limite para bagagens. Não tinha mais que oito anos quando descobri a magia das palavras! Atiradas em uma monte de folhas brancas ou coloridas, elas jamais me abandonariam! Continuam costurando, com a agulha do tempo, o tênue tecido da minha vida! Modelei-me entre rabiscos e linhas nem sempre contínuas, Há também um largo sorriso estampado em um materno rosto negro educando-me na escola da vida. — Ainda não aprendestes a andar, menino? Escorei-me na poesia! A princípio, nas rimas simples que a infância me dava, nos doces sonhos sonhados numa simples casa! Um castelo escondido por entre uma cadeia de montanhas, Perdida meio a um vale.

“O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO”!

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  “O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO”! Fato é que as incertezas da vida, e da morte, povoam a nossa existência. A pergunta sobre quem e o que somos atravessa a Filosofia desde os seus primórdios. Nunca demos conta dela. O máximo que conseguimos chegar foi nos abrigarmos em alguma concepção religiosa. Geralmente, aquela que domina a cultura em que nascemos. A confirmação de que até hoje as respostas que temos ainda não são satisfatórias está no fato de que religiões nascem, religiões morrem; filosofias nascem, filosofias morrem e, pouco, ou quase nada resolveram. Sim, ter uma religião não significa uma certeza! Apenas um refugio ao desamparo . Não iremos enveredar aqui na discussão interminável se ser religioso é bom ou ruim. Essa é uma questão, acredito eu, que diz respeito a cada pessoa. Se ter uma religião te faz bem, fique nela. Se não ter uma religião te faz bem, tranquilo. Contudo, religiosos ou não, as incertezas sobre a vida e morte nos são um fardo à razão. Em uma be...

ANCESTRALIDADE: UM AMBIENTE SUFICIENTEMENTE BOM!

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  ANCESTRALIDADE: UM AMBIENTE SUFICIENTEMENTE BOM! Olhei para um móvel colocado do outro lado da pequena sala. Não era um sofá convencional. Então pensei: “Eis aí o tal divã”! Mas nas minhas primeiras cinco visitas não me foi permitido deitar nele. Mas me era um imenso desejo sentir aquela maciez imaginária que me devorava.

O ENIGMA DO CURINGA!

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Estávamos absortos na reflexão acerca do pensamento de Descartes. Seria o mundo uma ficção criada por um gênio maligno ou uma realidade de fato? E pensávamos! Descartes chegará à conclusão do  “Cogito Ergo Sum”, traduzida para nós, como o famoso “Penso, Logo Existo”! A verdade é que a tradução não abarca muito o real sentido que Descartes queria dar a sua icônica frase. O fato é que, sentindo a nossa dificuldade e assombro ao refletir o desafio cartesiano, nossa professora de Teoria do Conhecimento recomenda: “Leiam o Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder”! Não preciso nem dizer que os exemplares contidos na biblioteca da faculdade, naquele dia, esgotaram-se.  Evidentemente, mergulhei no “mundo de Sofia”! Sofia que, aliás, em grego, significa “sabedoria”, vejam só!Mas o que há de relevante nesse começo de história? O fato de que, através da indicação, acabei aprofundando na obra de Gaarder. Sim, amei o  jeito gaarderiano de contar a história da filosofia através de um romanc...