CAVALEIROS E CAVALEIRAS DA TRISTE FIGURA

Não é sobre as loucuras de Alonso Quijano e seus moinhos. Nem sobre a lucidez louca de Sancho Pança que, irresponsavelmente, embarca em uma aventura que nem era sua; mas se torna. Muito menos sobre Dulcinea del Toboso, a sonhada! Dom Quixote diz muito sobre nós!

De repente, percebemos que não há muito sentido no que vivemos e fazemos. Enchemo-nos de desejos, sonhos e possibilidades. Por que, não: edificar um sonho, verificar uma possibilidade de transformar tudo aquilo que se apresenta em nossa vida, e na vida daqueles que nos fazem companhia!


Dizem que os loucos movem o mundo! Mas não aqueles comprovadamente loucos! E, sim, aqueles e aquelas que, por algum momento, se tornam. E, do nada, criam aventuras, inimigos a derrotar, desertos e florestas a desbravar, “moinhos ameaçadores”, guerras contra si mesmos, contra si mesmas!


Sim, é fato que  um outro louco que nos incentiva e, às vezes nos acompanha, é muito necessário. Um ou uma “sancho pança” nos é de fundamental importância E essa figura, na maioria das vezes está dentro do próprio sonhador, da própria sonhadora. Ou seja, convencemos a nós mesmos, a nós mesmas de que tudo vai dar certo! Juntamos nossas tralhas, “ montamos em um cavalo” e saímos por aí provocando o mundo.


Contra os “aventureiros da vida”, as “vozes da razão”! Que se originam, geralmente, dos que apenas observam a vida e cumprem os protocolos da mesma. Tocam a vida como uma formalidade burocrática. Cumprem as horas, obedecem as velocidades, repetem o politicamente  correto. Tudo bem, nada contra eles ou elas! 


A razão não é companheira de Dom Alonso! Quase nada que planeja dá certo. Mas ele sempre retoma suas “loucuras”. Quem sabe agora…. quem nunca foi assim?


O que você faz com os seus desejos e sonhos? Essa pode ser uma das reflexões quando lemos Dom Quixote. É claro que Cervantes colocará tudo no campo do absurdo. Mas, dentro da justa medida, podemos nos colocar dentro da história. O cotidiano pode nos entediar sem que percebamos, a rotina pode nos adoecer, a frustração dos sonhos e desejos pode nos tornar depressivos.


Um sonhador, uma sonhadora e um companheiro ou companheira de “viagem”! Analisando e analista  e narrativas que, para a  maioria das pessoas, podem parecer loucas, sem sentido. Mas, ali, são verdades! E são! Faço essa comparação.


Dom Quixote representa parte da loucura que nos habita e não assumimos. Ele arrisca e flerta com a incerteza. Mas, por instantes, se regozija com a possibilidade da fantasia. Sai de si mesmo, um fidalgo pobre, para se tornar um cavaleiro andante. Um herói.


Sim, também podemos! Por que não? 

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