O ENIGMA DO CURINGA!

Estávamos absortos na reflexão acerca do pensamento de Descartes. Seria o mundo uma ficção criada por um gênio maligno ou uma realidade de fato? E pensávamos!

Descartes chegará à conclusão do  “Cogito Ergo Sum”, traduzida para nós, como o famoso “Penso, Logo Existo”! A verdade é que a tradução não abarca muito o real sentido que Descartes queria dar a sua icônica frase.


O fato é que, sentindo a nossa dificuldade e assombro ao refletir o desafio cartesiano, nossa professora de Teoria do Conhecimento recomenda: “Leiam o Mundo de Sofia” de Jostein Gaarder”! Não preciso nem dizer que os exemplares contidos na biblioteca da faculdade, naquele dia, esgotaram-se. 


Evidentemente, mergulhei no “mundo de Sofia”! Sofia que, aliás, em grego, significa “sabedoria”, vejam só!Mas o que há de relevante nesse começo de história? O fato de que, através da indicação, acabei aprofundando na obra de Gaarder. Sim, amei o  jeito gaarderiano de contar a história da filosofia através de um romance. E é um livro que recomendo  àqueles e aquelas que estão me lendo agora. 


Mas, quando discutimos literatura com alguém, uma pergunta é inevitável: “qual ou quais livros marcaram a sua vida’? No meu caso, vários livros, desde a infância até agora, marcaram a minha vida. Mas poucos, em uma linguagem psicanalítica, me atravessaram. Um deles é outra obra de Jostein Gaarder chamada o “O Dia do Curinga”!


Os livros que nos atravessam são aqueles com os quais nos identificamos. No caso de  O Dia do Curinga, a história se desenrola em torno de duas tramas: uma em que uma criança sai em uma viagem em busca de uma mãe que, para ela,criança, sem motivo algum havia deixado o lar e saído em uma  viagem pelo mundo. A outra história é filosófica: um curinga sai pelo mundo na busca do sentido da sua existência. E uma pergunta o atormenta: “por que em um baralho há quatro naipes de cada carta e apenas um curinga? Claro que não vou dar spoiler por aqui! Fica a recomendação para que leiam o livro.


Não preciso nem dizer que autor irá filosofar na comparação de que um jogo de cartas pode nos servir também como uma metáfora à vida. A pergunta que Gaarder incutiu em minha mente foi: “Por que você se sente “uma carta fora do baralho”? Uma pergunta que o Curinga, a todo tempo, põe-se a fazer na história: “Por que em, em certos momentos, eu me sinto dentro do jogo e, em outros momentos, eu me sinto fora”?


O Curinga se sente como se vivesse uma maldição: a de pensar fora das “regras do jogo”, e de, em grande parte das vezes, sentir-se “carta fora do baralho”! Se esse sentimento, por vezes, te atravessa, então você carrega o arquétipo do curinga.


Mas, enfim, sentir-se curinga é bom ou ruim? Não sei! É uma resposta muito particular. A questão é que o curinga navega entre a solitude e a companhia de outros existentes. Mesmo quando o “tiram do jogo” ele continua no pensamento dos que se lançam à vida, Afinal, viver é inevitável.


No meu caso, o curinga navega por três mundos além do cotidiano: a filosofia, a poesia, a psicanálise. Às vezes me lanço no mundo, às vezes me recolho para que o curinga pense e fale; nem que seja a si mesmo.


Esse espaço é dele!Do curinga!

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