“O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO”!

 

“O EXISTENCIALISMO É UM HUMANISMO”!

Fato é que as incertezas da vida, e da morte, povoam a nossa existência. A pergunta sobre quem e o que somos atravessa a Filosofia desde os seus primórdios. Nunca demos conta dela. O máximo que conseguimos chegar foi nos abrigarmos em alguma concepção religiosa. Geralmente, aquela que domina a cultura em que nascemos.

A confirmação de que até hoje as respostas que temos ainda não são satisfatórias está no fato de que religiões nascem, religiões morrem; filosofias nascem, filosofias morrem e, pouco, ou quase nada resolveram. Sim, ter uma religião não significa uma certeza! Apenas um refugio ao desamparo.

Não iremos enveredar aqui na discussão interminável se ser religioso é bom ou ruim. Essa é uma questão, acredito eu, que diz respeito a cada pessoa. Se ter uma religião te faz bem, fique nela. Se não ter uma religião te faz bem, tranquilo. Contudo, religiosos ou não, as incertezas sobre a vida e morte nos são um fardo à razão.

Em uma bela tarde ensolarada, em um  dos prédios antigos mais tradicionais da minha cidade de nascença, conheci Sartre. Já meio velho, amarelado pelo tempo… esquecido em uma das últimas prateleiras do lugar. O que me chamou a atenção no mesmo, era o aspecto enigmático de sua face. Minha aproximação se deu por pura curiosidade. Foi um encontro arrebatador!

Já se vão algumas décadas e meu apego a ele continua. A filosofia de Sartre, décadas atrás, abriu-me uma clareira à existência, lançou-me luz a uma enormidade  de dúvidas, ajudou-me a desvelar uma questão existencial: “ o que, na vida e no mundo, limita a minha existência, aquilo que quero ser?”

Sartre é sobre o que fazer na vida enquanto estamos por aqui. Não nos há outra opção a não ser “caminhar”, sermos um projeto de nós mesmos. Libertar-se da escravidão do destino e do determinismo. Não se neurotizar sobre o que há antes de mim e o que virá depois. Afinal, ninguém não tem nenhuma certeza, apenas especulações

Não é sobre ser um ser humano bom ou ruim. A bondade e a maldade são questões éticas. Religiosos ou não, as pessoas podem ser boas ou ruins. Mas é sobre não se punir já na vida. Exercê-la em sua plenitude. Afinal, como afirma o existencialismo sartreano: “ Somos condenados a ser livres”!

Essa é uma premissa que muda tudo! Apesar das facticidades da vida, podemos planejar a nossa existência dentro do prazo que nos é dado, e que não sabemos o quanto irá durar. Posso não estar mais por aqui daqui a alguns segundos, ou posso ainda estar aqui por mais algumas décadas! Mas aquele ou aquela que possui um mínimo de consciência sobre a brevidade da vida, nunca irá flertar com essas possibilidades que estão no controle apenas do tempo.

A indagação sobre o que estamos fazendo da nossa vida, e na nossa vida se torna inevitável! Observando o mundo ao nosso redor, torna-se explícita a constatação de que a maioria das pessoas se encontram perdidas. “Baratas tontas no mundo”! Vivem, na psicanálise, o “enigma do neurótico”! O neurótico vive na ilusão de que, em algum momento, sem que ele menos espere, sua vida irá mudar. Mastiga os sofrimentos cotidianamente, buscam remédios que lhes curem a dor de existir”. Pouco vivem.

E o tempo passa, o corpo se desfalece…todo o vivido parece não ter tido nenhum sentido.

Leiam Sartre!

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