Pulsão de Guerra!



Acredito que tudo começa, e é um achismo, quando dois bandos de homens pré-históricos se cruzam ao sopé de uma montanha, ou no meio de um vale ou campina, às margens de um lago, meio à clareira de um floresta… enfim, em um lugar qualquer. Sentem-se ameaçados uns pelos outros, e aí não é muito difícil imaginar como tudo pode acabar. 

O ser humano é um ser bélico! Lembro-me das profundas discussões nas quais eu me metia na faculdade: para Rousseau  “ O Homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe”! Já para Thomas Hobbes, pensador inglês, “ O Homem é lobo do Homem”! Hobbes, quase sempre vencia em nossos embates.

Não podemos negar que a maioria das pessoas possuem uma visão ingênua acerca de si mesmas e das outras pessoas. Uma visão ingênua que nos cega quanto às nossas limitações  no que toca ao conviver. A vida prática irá dizer que, na verdade, exercitamos, a contragosto, a tolerância! O outro me é uma constante ameaça.!

No fundo, carregamos uma raiva escondida. “A boca que abençoa pode ser a mesma que amaldiçoa”! Tudo irá depender de circunstâncias, de motivos que poderão, em fração de segundos, mudar nossa opinião sobre uma pessoa, ou sobre um povo. A verdade é que, na sociedade, caminhamos sobre a corda bamba do ódio e da paciência com o outro.

A diferença entre um soco em um briga de trânsito e uma bomba que jogam por nós em algum lugar, ou em algum país que aprendemos, de um dia para o outro odiar, é a intensidade do acontecimento. No fundo, a essência é sempre a mesma: o nosso belicismo constitutivo.

Freud irá nos falar de uma chamada “pulsão de morte”! Uma força que nos impulsiona a destruição; de nós mesmos, de nós mesmas, e do outro. Força  essa que, segundo Freud, tentamos sublimar nas nossas atividades sociais, criações artísticas, atividades esportivas, por exemplo. Ou seja, carregamos um inevitável impulso destrutivo dentro de nós.

Uma parte animal que nos habita? Fato é que a civilização não dá conta de sustentar os discursos de paz e tolerância que insistimos em produzir. Até mesmo a religião e, principalmente ela, é motivo de guerra. A desculpa é sempre defender a “verdade de uma crença”! As outras não são “verdades”, pois são diferentes. Já a guerra política carrega nossas ambições, ganância, hipocrisias e nossos “narcisismos das pequenas diferenças”; ou seja: tudo que, no outro me incomoda, precisa ser combatido.

No cotidiano, fazemos nossas guerras domésticas: com o vizinho, no nosso ambiente de trabalho, nos espaços sociais, na família. Somos guerreiros e guerreiras em vigília! Sempre prontos para a guerra. Vivemos sempre desconfiados de que alguém, a qualquer momento, virá tirar o que é nosso, roubar o nosso espaço, perturbar a nossa paz. Vivemos à sombra do incômodo.

Enfim, estamos longe de domar nossos sentimentos ruins e sombrios. A civilização ainda engatinha nesse sentido. A passagem da individualidade para a coletividade ainda habita um horizonte distante. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NA ESCRAVIDÃO DA DUALIDADE

CAVALEIROS E CAVALEIRAS DA TRISTE FIGURA